JANIS IAN




ENTREVISTA COM JANIS IAN


:: uma cor: azul royal
:: um animal: meu cachorro, Foster
:: uma canção: qualquer canção de Hank Willians
:: um CD: "Missa Luba - versão Congoleza"
:: um cantor: George Jones
:: uma cantora: Billie Holiday
:: um ator: Laurence Olivier
:: uma atriz: Kathy Bates
:: uma comida: iguarias portuguesas
:: uma bebida: puro malte
:: uma pessoa: minha companheira, Pat
:: uma roupa: um bom cachecol quente
:: um presente: qualquer livro que eu ainda não tenha lido

:: um lugar: um lugar perto do mar, bem silencioso, sem muita gente, mas com muita comida boa

:: um livro: "Ender's Game" de Orson Scott Card e "A Wrinkle in Time" de Madeleine L'Engle


 Entrevista com Janis Ian :: o sucesso é algo importante?
- Depende de como você o define. Para mim, ter sucesso significa poder ganhar a vida, pagar a minha hipoteca ou aluguel, ter comida na mesa e estar aquecida no inverno. Ocasionalmente, uma boa refeição num restaurante.


:: Janis Ian por Janis:
- Não pareço algo muito interessante.


:: Estilo de música favorito:
- Jazz e MPB - música brasileira.


:: Uma mensagem para os internautas brasileiros:
- Vocês não têm idéia do quão são sortudos com toda esta música maravilhosa em toda parte. Invejo vocês.


:: Como começou sua carreira ?
- Aos três anos, tocava piano e violão, quando tinha dez. Dois anos mais tarde, aos 12, compus minha primeira canção "Hair of Spun Gold". Com 14 , vivi um lance de sorte, ao tocar num clube com um amigo. Numa noite, um homem disse: "criança, vou fazer de você uma estrela". Daí, ele me levou para um produtor e nós gravamos "Society's Child". Foi um enorme sucesso. Assim, tenho trabalhado com música desde então.


:: Além de ser uma canção, "Society's Child" é também uma fundação governamental em prol das crianças carentes do mundo?
- Não. A "Pearl Foundation" é uma fundação que eu criei para ajudar as pessoas a voltar para a faculdade. Society's Child é somente uma canção.


 Entrevista com Janis Ian :: Seu CD "At Seventeen", do início dos anos 70, vendeu 1 milhão de cópias e, com ele, você ganhou 2 Grammys. Foi o auge do seu sucesso e popularidade? Como isso mudou sua vida e carreira ?
- Foi o máximo nos Estados Unidos. Logo em seguida, "Aftertones" apareceu como a canção mais ouvida no Japão por 6 meses. Depois, "Miracle Row" teve a mesma receptividade e o mesmo sucesso por lá. Ambas renderam disco de platina. Em seguida ainda, "Night Rains" foi a mais tocada e também ganhou disco de platina na Holanda, Inglaterra, Irlanda, Bélgica, África do Sul, Israel e Austrália.

Quanto à forma como isso tudo afetou minha vida, bem, é surpreendente ter um sucesso no seu próprio país. É de fato prazeroso! Ainda mais surpreendente é ser um sucesso nas paradas de um outro país, do qual você não fala a língua. E maravilhoso ver as pessoas cantarem com você nos shows.


:: Ao todo, quantos Grammys você já ganhou e para quantos foi indicada?
- Ganhei 2 Grammys. Discos e coletâneas que contém as minhas canções ganharam 5 Grammys. Pessoalmente, fui indicada para 9 Grammys.


:: Você começou sua carreira como ativista política? Você ainda se considera uma ativista?
- Isso é difícil dizer. O que você quer dizer com o termo "ativista política"? "Quando um político é um sucesso, ele já é um corrupto."

Quem se engaja a favor dos direitos humanos, internacionais e, principalmente, com os direitos do próprio país, com músicas de protesto e denúncias. Nesse caso, tenho sempre me sentido mais uma ativista social. Acho que somente no meu próprio país. Penso assim: quando um político é um sucesso, já é um corrupto. É uma pena, mas é a verdade que tenho presenciado no dia-a-dia. Confesso que acho que, para mudar o mundo, você tem que mudar o coração das pessoas. Esse é, então, meu empenho quando crio minhas músicas.


:: Qual a importância de Odetta e Phoebe Snow em sua carreira?
- De fato Odetta foi uma grande razão para que me tornasse uma cantora. Eu a vi na televisão quando tinha nove anos e desejei cantar como ela.


:: Como foi o sucesso de "Aftertones" ?
- Disco de ouro nos Estados Unidos e dois de platina no Japão. E muita diversão!


:: Você já fez trilhas para filmes, trilhas para seriados de sucessos, jingles. Como funciona essa versatilidade? Qual desses trabalhos lhe deu mais prazer?
- Isso também é difícil de dizer. Amo fazer trilhas para filmes, porque é realmente um desafio captar o espírito de uma fita inteiro em 3, 4 minutos. Amo quando outras pessoas cantam minhas canções. Assisti à Rita Moreno, cantando "Days Like These" no programa de televisão "OZ" da HBO, e foi emocionante. Quanto aos comerciais, são divertidos, porque as pessoas que os fazem levam o trabalho muito a sério também. Adoro, ainda, escrever estórias curtas e artigos. Na verdade, há muitas coisas que amo fazer. Mas, entre todas elas, gosto mais de compor, gravar e tocar ao vivo, porque é o que mais alimenta minha alma.



 Entrevista com Janis Ian :: Qual intérprete você mais gostou de ver gravar suas canções ?
- John Mellencap fez um grande trabalho com "To The River" e é claro Bette Midler cantando "Some People's Lives". A maior emoção para mim, contudo, foi Mel Torme fazendo um dueto de "Silly Habits" comigo. Fomos indicados para o Grammy também.


:: Grandes artistas como Stan Getz, Bette Midler, Glen Campbell, Roberta Flack, Joan Baez, Etta James, entre vários outros, gravaram suas canções. Essas gravações foram importantes para sua carreira?
- É um privilégio quando um grande artista grava meu trabalho. Especialmente alguém como Joan Baez, por quem nutro uma grande admiração ao longo da minha vida.


:: Qual a importância da canção "Jesse" em sua carreira? Como foi vê-la gravada por Joan Baez ?
- Escrevi "Jesse" aos 20 anos, quando achava que precisava arrumar um emprego tradicional. Estava sem dinheiro e não iria conseguir ganhar muito cantando. Foi um momento importante por duas razões: até escrever "Jesse", não tinha certeza de ser de fato uma boa compositora. Foi realmente a primeira boa canção que compus. Quando Roberta Flack gravou [ela foi a primeira, antes de Joan Baez], estourou. Assim, começou minha carreira adulta. Eis a importância de "Jesse".

Eu amo Joan e me sinto lisonjeada quando ela grava o meu trabalho. Ela já gravou três canções minhas e cada uma delas é maravilhosa.


:: Você foi escolhida para homenagear o lendário Chet Atkins...
- Foi uma noite fantástica com Mark Knopfler, Marty Stuart e eu mesma estrelando no famoso auditório "Ryman", em Nashville. O grande momento da noite para mim foi quando terminei meu solo, em "Welcome to Acousticville", e Chet Atkins me reverenciou, tirando o chapéu.


:: Você já estudou teatro, ballet, piano, violão, guitarra... O que deseja fazer ainda na sua carreira ?
- Sobreviver...



Entrevista realizada por Ana Flávia Miziara
Autorizado por Rude Girl Publishing
Tradução: Lala Mesquita









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