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Escrito em: 24/04/2008 Dia do Livro - Falando sobre Monteiro Lobato Trago algumas fotos com as crianças no evento em homenagem ao autor no "Dia do Livro". Espero que gostem! Beijos, Mabel. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 11/04/2008 Minha Dinha 10 de abril de 2008 ? dia dos seus 100 anos. No dia 10 de abril de 1908 nasceu em Santo Amaro Hildete Velloso Costa. Se estivesse ainda junto a nós festejaríamos hoje o seu centenário e por certo ela ofereceria feijoada e bolo inglês. A última casa em que ela morou está lá pertinho da Igreja, pertinho da Praça do Rosário. No vazio da casa estão a cristaleira cheia de copos de cristal, no aparador pratos de uma louça bonita guardando ainda o cheiro dos lombos dos domingos. No quarto da frente, a mobília antiga cheia de saudade. Na penteadeira, seus Santos mais queridos em frente ao espelho. Penso que ali ela os deixava para que as bênçãos chegassem repetidas... Rezava mais pelos outros que por ela mesma. Sempre pensou mais nos outros. As suas mãos foram as mãos mais abertas que conheci. Sempre dando carinho, fazendo doces, arrumando nossos cabelos, descobrindo nas gavetas e nas caixinhas um presente para cada um de nós. Sempre dava presentes delicadamente escolhidos. Até os 97 anos viveu ali cercada de lembranças. Chorava com facilidade e sorria assim também. Quando mocinha tocava piano e cantava bonito. Dançava com muita leveza e seu corpo bem feito se enchia de graça nas festas do Apolo. Envelheceu com muita elegância. Seus cabelos foram embranquecendo e seu rosto foi ficando cada dia mais bonito, mais suave. Adoeceu aos poucos e foi falando pouco, andando pouco. Nela em que tudo de bom era muito foi diminuindo, murchando como as rosas do seu quintal. Sem ela a casa parece que cresceu. A mangueira se espichou como se quisesse ir até ao céu para tentar encontra-la. O corredor ficou mais comprido e mais frio sem ela. A grade na porta da rua mostra ainda a forma elegante do desenho que dava a todos a sensação de casa de coração aberto, mas já tem outra conotação. A casa continua de pé. Quando passo por ela tenho a certeza que o alicerce de bondade vai segura-la para sempre. Lá por dentro uma certeza do seu amor por todos nós: pelas paredes, sobre os moveis estão ainda espalhados retratos de todos que ela amou demais. Todas as fotos mostrando um riso, reflexo do sorriso dela sempre derramado sobre cada um desses primos / filhos que a vida lhe deu. No quintal as roseiras ainda teimam em perfumar aqueles lugares por onde ela andou tanto para olhar a roupa no varal, para dar comida às galinhas e ao papagaio, acalmar o cachorro, ver se os pintinhos nasceram, catar mangas maduras para fazer sucos saborosos para Vivaldo, o grande amor da sua vida. Lá, bem no fundo do quintal, a cana sarangó perdeu a doçura. Os roletes que ela nos oferecia desapareceram da bacia que ficava cheia em cima do murinho que nos levava até a lavanderia. O caldo de cana perdeu o mel... Algumas vezes falou na preocupação de morrer e deixar Bel e Dadaia. Dadaia foi antes dela. Bel a ajudou até o fim e ficou como traço de união entre sua vida e a nossa. Foi minha madrinha, minha comadre, minha amiga, minha confidente. Ajudou-me com muito amor a criar minhas filhas e graças a Deus teve tempo de amar os meus netos. Nós, os filhos de Canô e Zezinho sempre tivemos em Detinha e Vivaldo ? minha Dinha e Alfo ? os padrinhos amigos e sempre cheios de amor por nós. Os dois por certo estão lá no céu festejando o 10 de abril e se puderem, nos ajudando a viver cada dia no carinho que eles nos deram enquanto por aqui viveram a paparicar cada um dos filhos de Canô e Zeca. Conosco uma dor, uma saudade, uma lembrança leve de um amor indizível que vai durar para sempre. Atrás da igreja está a casa que foi sempre meu porto, meu cais, minhas segurança. Muita coisa mudou, eu me dei conta. Sei que o portão não se abriu mais. Sei que a saudade o trancou de uma vez por todas. Mabel ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 31/03/2008 Aos filhos de dona Iramaya Vitória de Carvalho Em 1980 quando publiquei meu primeiro livro dediquei à Mãe de vocês dizendo a razão: À Dona Iramaya que me descobriu poeta. Nas salas de aula do Ginásio Itapagipe a minha professora de Português descobriu em mim a poesia que eu nem sabia onde vivia escondida. Descobriu muitas outras coisas: meu medo, minha insegurança, minhas saudades e do seu modo manso tentou ajudar-me. Lembro daquele ano de 1950. Menina vinda de uma Cidade do interior, cheia de medos, cheia de saudades dos pais e dos irmãos que ficaram por lá eu me sentia inferior a todos os colegas que por ali encontrei. O mar batendo nas areias do Bugari me fazia ver um mundo novo, bonito, mas diferente do meu mundinho escondido nas águas pequenas do Subaé. Tudo muito grande, tudo novidade que me fazia querer voltar para casa. As aulas começaram. Retraída, no fim da sala, ouvia as vozes dos professores trazendo lições desconhecidas. Lembro da professora novinha, bonita, calma, de voz diferente, um jeito bonito de falar. Leu uma poesia e pediu que se alguém conhecesse aqueles versos que se apresentasse. Conhecia o poema e sabia de cor aqueles versos tantas vezes repetidos por meu pai. “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá ...” A coragem tomou-me de frente e eu disse o poema inteiro. Daquele momento até hoje senti e sinto o olhar firme, o riso doce, o aplauso daquela mulher que me ensinou a ler melhor, a dizer melhor, a escrever melhor. Aquela mulher tão nova que me pareceu uma senhora de tanta sabedoria. Estava saindo da tristeza de um zero tirado numa redação porque a Irmã, professora de português, mandou que toda classe escrevesse sobre o “Dia mais feliz da minha vida”. Escrevi com a sinceridade que sempre me acompanha sobre um passeio que fiz com meus pais e irmãos aos Filtros da Companhia Aquária Santamarense. Para a Freira Professora o dia mais feliz da minha vida tinha que ser o dia da 1ª Comunhão. Tomei o primeiro zero da minha vida. Aí sim, o dia mais triste... No Ginásio Itapagipe tanta nota dez me fez esquecer as águas dos filtros, a 1ª Comunhão, e o trauma daquele maldito zero. Minha nova professora descobria em tudo que eu escrevia uma beleza que eu nem via! Minha nova professora enchia meu coração de alegria. Incentivava, pedia novas dissertações, composições, poemas. Parece que me pegava a mão para que eu escrevesse, mesmo com a letra feia e miúda, as coisas todas que me rodeavam. A minha nova professora fez-me escritora! Devo a seus elogios a coragem de mostrar os meus escritos. Muitos anos passaram e o carinho cresceu entre nós duas. Convidou-me certa vez para ir a uma festa do seu aniversário na Rua do Godinho. Minha mãe comprou uma caixa de sabonetes para que eu levasse como presente. Lembro até hoje do meu acanhamento. Fui recebida com agrado. Minha professora cobria um bolo com uma glace muito branca. Derramava delicadamente a doçura sobre tudo ali, sobre todos ali. Passei um dia feliz. Mais feliz até do que aquele dia em que fui com meu pai passear nos filtros em Santo Amaro. Certa vez numa aula sobre nome próprio elogiou meu nome e disse mais: se algum dia eu tiver uma filha terá o seu nome, Maria Isabel. Fiquei toda vaidosa. Soube depois que seria homenagem à futura avó, mas não diminuiu meu contentamento. Minha xará nasceu anos depois e meu carinho pela mãe foi se espalhando pelos filhos e netos que vão chegando. Dona Iramaya foi morar em frente ao mar. Da sua casa assisti o sol se por algumas vezes. Cada vez com uma beleza maior. Naqueles fins de tarde entrava em mim poesia pelos olhos e pelos ouvidos. A conversa de dona Iramaya era poesia pura comentando o ocaso, o fim do dia, a velhice que chegava. Também eu envelhecendo e ambas encarando de frente ganhos e perdas, tirando lições do por e nascer do sol, do início e do fim das coisas... A esperança à nossa frente. O Ginásio Itapagipe passou a ser João Florêncio Gomes e dona Iramaya passou a ser a diretora. Também eu estava dirigindo um colégio e nos nossos encontros falávamos das dificuldades na educação, da falta de assiduidade dos nossos coledas, dos nossos alunos. Lembrávamos do tempo bonito do nosso Itapagipe, das nossas aulas recitando poemas, dizendo letras das canções e dos hinos. Participei de muitas festas do dia 17 de abril. Nos seus 80 anos a festa foi no salão cheio de filhos, netos, amigos, colegas, ex-alunos. Já adoentada mas a força, a coragem cercando seus dias. Sempre a encontrava com aquele jeito manso de dar carinho, com palavras de elogio e incentivo. Em Santo Amaro passou dias com dona Jacy e Dr. Péricles. Na igreja da Purificação rezou pela vida. Foi lá que vi uma tristeza maior nos seus olhos, depois muita fé e confiança no futuro. Dona Iramaya sabia esperar dias melhores. Participou dos aniversários de mãe Canô e era sempre motivo de muita alegria a sua presença em nossa casa.Nos 100 anos não teve condição de ir. Sua saúde ia mal. Chorei abraçando Maria Isabel e Rita adivinhando que não a veria mais. Infelizmente estava certa. No dia 17 de fevereiro dona Iramaya morreu. Na Missa de mês cantamos no momento do ofertório: “Um coração para amar/ pra perdoar e sentir / para chorar e sorrir / ao me criar Tu me deste / um coração pra sonhar / inquieto e sempre a bater/ ansioso por entender/ as coisas que Tu dissestes / quero que meu coração / seja tão cheio de paz / que não se sinta capaz / de sentir ódio ou rancor / quero que a minha oração / possa me amadurecer / leve-me a compreender / as conseqüências do amor/ Eis o que venho Te dar/ eis o que ponho no altar/ toma Senhor que ele é Teu/ meu coração não é meu.” O cântico revelando sua trajetória de vida, as palavras da carta lida por um de vocês, deu-nos a certeza de que viver como dona Iramaya viveu é bênção de Deus para todos que ela amou, para todos que a amamos. O 17 de abril deste ano não terá festa por aqui. A festa por certo será no céu no qual ela acreditou e nos ensinou a acreditar. Dona Iramaya deve andar por lá distribuindo ternura, ensinando poesia, dando aulas de bem querer. Deve estar matando as saudades de dona Candolina e contando para ela que estamos por cá com saudades novas mas cheios de certeza que por lá a vida é bem mais mansa... Mabel ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 20/02/2008 Comemorando meu aniversário com vocês do Bloglog! Meus queridos leitores, dia 14 de fevereiro comemorei o meu aniversário e divido com vocês a minha alegria! ![]() com mãe Canô ![]() com o irmão Caetano Mabel. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 11/02/2008 Homenagem a mãe Canô Leitores queridos, esse foi o cântico entoado por todos nós esse ano em homenagem a mãe Canô, mantendo a tradição da Festa de Reis que divido aqui com vocês. Beijos, Mabel. ![]() Nosso Rei 2008 Vem cantando a alegria Que os 100 anos de Canô Derramaram na Bahia Dona Oxum saiu das águas Com poder que é divino Para junto com Canô Adorar a Deus Menino Para a Senhora das águas, Para o Nosso Deus Menino Canta agora este Rei O amor que é seu hino Santo Amaro em suas águas Guarda Nossa Mãe Oxum Que no Rei 2008 Abençôa a cada um Vem incenso, mirra e ouro Pra Deus Menino adorar E também Dona Oxum Com seu ouro vem brilhar Com o ouro, com a água Mãe Oxum nos faz brilhar E cantando nosso Rei Deus Menino vem saudar ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 08/01/2008 Fim de Ano Queridos leitores, o ano terminando o tempo corre mais ligeiro... Já ouço 2008 batendo na porta da minha esperança. Bate de leve para não me assustar porque ele sabe que 2006 e 2007 me meteram susto, me fizeram chorar, me fizeram triste. Vem 2008, ano bissexto, que nos dá mais um dia de vida e nos oferece a possibilidade de ter mais um dia para amar os amigos. É sempre bom o Ano Novo chegando com o cantar do galo numa madrugada que nos faz ter fé e esperar dias melhores. Primeiro dia do Ano o sol nasce, nos parece, com mais brilho, mesmo que a chuva caia para regar o dia para nos agradar. É sempre assim o janeiro de cada Ano, vem nos conduzindo por um caminho mais suave que os anos que passaram. Olho o Ano como um "rio que passou na minha vida"... com as margens cheias de plantas cheirosas, amparando as terras para que não caiam. E lá vai ele me levando e me lavando em suas águas. Algumas vezes em um ponto mais escuro e profundo quase me afogo. As margens me protegem, me ajudam, me salvam. Lá vou eu remando ou nadando dependendo do fôlego. Se as pedras surgem ele se fortalece e me fortalece e pulamos cachoeira.Vou saltando junto. Se choro com saudades de algumas flores que deixei longe numa margem distante logo os olhos são lavados e levados para outra paisagem... O rio não para, eu não posso parar. Que importa se as pernas já não dançam em quelquer ritmo? Que importa se o coração já não bate e às vezes apanha? O rio vai e eu vou. Temos 366 dias pela frente. Seguro-me às margens, aos amigos, aos amores e sorrio a cada dia que nasce e choromingo a cada por do sol. Um e outro momento quer me ensinar que se nasce e se morre a cada dia... 2008 estou aqui pronta para mergulhar em você. Traga para toda gente maré de paz, de alegria, de saúde. Se for possível mande uma canoa cheia de reais para nos tirar da rede de contas a pagar. 2008 perdoe-me a brincadeira. Venha manso e nos ensine a remar mesmo que seja contra a maré... ![]() Mabel. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 14/12/2007 Meus leitores queridos !!!! Dia 1º de dezembro comemorei ao lado de minha amiga, Dona Carmita os seus 90 anos e gostaria de dividir com vocês o texto que escrevi para a festa em sua homenagem. 90 anos de Dona Carmita Festejar aniversário é muito bom quando amigos estão por perto. Festejar aniversário de bons amigos é bom demais! Festejar 90 anos de Dona Carmita é festa para ela, para sua família, para seus amigos, para a nossa Cidade, para a nossa Igreja. Reunidos vamos dizer parabéns e pedir a Deus que conserve a preciosa vida da nossa querida Dona Carmita. Hoje é o dia do teu aniversário Parabéns! Parabéns! Fazem votos que vás ao centenário Os amigos sinceros que tens Reunidos neste dia de tão grande alegria Desejamos que as bênçãos de Deus Caiam todas sobre os dias teus E que em data igual a esta Haja sempre a mesma festa Cada um renovando os votos que hoje faz De mil venturas e de paz. Além de abraços queremos trazer recados cantados para alegrar os seus 90 anos. Conhecemos sua bondade e sabemos que você sempre repete baixinho para consolar os que choram e procuram o seu ombro amigo: ... se eu pudesse, se Papai do Céu me desse o espaço pra voar, eu corria a natureza acabava com a tristeza só pra não te ver chorar. Muitas vezes ficamos sem nos encontrar por muito tempo, sem ouvir seus conselhos que nos enchem de paz e esperança. Lá um dia gritamos: Bandeira branca, amor! Não posso mais Pela saudade que me invade eu peço paz. Relembrar os encontros que fizemos nos dá alegria e força. As suas palavras ficam guardadas no melhor pedaço da nossa memória, no melhor espaço de cada coração. Os retiros prega- dos por você deixaram marcas que a cada dia mostram a sua sabedoria e sua forma bonita de pregar. Pedindo entusiasmo! Lembrando que até para empurrar carrinho de supermercado é necessário entusiasmo! Fazendo rir ou chorar seus ensinamen- tos nos sustentam e nos encorajam. Vem, me dê a mão a gente agora já não tinha medo. No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido. Tanta coisa simples a nos ensinar, para nos dar coragem: Quem anda com Deus não tem medo de assombração / eu ando com Jesus Cristo no meu coração. Quantos de nós, cheios de incertezas, com o coração seco, sentíamos a sua fé se derramar sobre nós, nos encharcando e nos ajudando a crer no Deus Bondade. Quando olhei a terra ardendo / qual fogueira de São João eu perguntei a Deus do Céu / por que tamanha judiação. Suas palavras de incentivo sempre caem sobre nós como água boa que nos refresca e encoraja saída da fonte da sua sabedoria: E a fonte a cantar chuá, chuá E a água a correr chuê, chuê Muitas vezes com muitos problemas e muita tristeza, nas nossas repetidas queixas, vinha seu conselho seguro: Levanta! Sacode a poeira dá a volta por cima. Dona Carmita faz 90 anos e sua vitalidade é tanta que chama atenção! Ela segue firme e forte desde que ouviu aquela ordem: Vai, tua vida / teu caminho é de paz e amor / vai, tua vida / é uma linda canção de amor/ Abre teus braços e canta a última esperança/ a esperança de amar em paz. Dona Carmita foi e continua vivendo e ensinando: É melhor ser alegre que ser triste/ a alegria é a melhor coisa que existe / é assim como a luz no coração. Abriu os olhos de muita gente e ensinou que para ser um bom católico não é preciso andar mal vestido, desarrumado. Nos mostrou que faz bem andar bonito... Meia comprida não quer mais sapato baixo / vestido bem cintado, não quer mais vestir timão. Dona Carmita vai ensinando com firmeza, mas seguindo sempre caminhos delicados. Onde é chamada vai corajosa, encorajando. Vai até o fim do mundo... No rancho fundo / bem pra lá do fim do mundo / onde a dor e a saudade contam coisas da cidade. Fala dos Mandamentos da Lei de Deus e com sua eterna sabedoria explica que na vida o que vale é amar. Não fazes favor nenhum em gostar de alguém, nem eu, nem eu, nem eu. Quem inventou o amor não fui eu nem ninguém. Fala do amor com muita propriedade porque vive 90 anos com muito amor. Ò o amor ai, ai / Amor bobagem que a gente não explica ai, ai. Dona Carmita tem sido companheira, amiga, conselheira. Festejando 90 anos e sua força sustentando todos nós: Esses seus cabelos brancos, bonitos/ Esse seu olhar cansado, profundo/ me dizendo coisas, num grito/ Me ensinando tanto do mundo/ e esses passos lentos de agora / caminhando sempre comigo/ já correram tanto na vida / minha querida Carmita amiga./ Sua vida cheia de histórias / e essas rugas marcadas pelo tempo / lembranças de antigas vitórias / ou lágrimas choradas ao vento / sua voz macia me acalma / e me diz muito mais dessa vida / me calando fundo na alma / minha querida Carmita amiga. Suas lições tão simples nos acompanham. Quando vem a tristeza pensando nas suas aulas olhamos a palma da mão e repetimos com agrado pensando em Nossa Senhora: Maria, o Teu nome principia na palma da minha mão/ e cabe bem direitinho dentro do coração. Dona Carmita vai vivendo desejando que o mundo melhore e reza para que o bem aconteça. Tem pena dos que não crêem e muitas vezes chora por eles. E aí me dá uma tristeza no meu peito / feito um despeito de eu não ter como lutar/ e eu que não creio peço a Deus por minha gente. Dona Carmita não perde a esperança e tem certeza a cada dia que o amor, a fraternidade, vão salvar o mundo. Ah! Se ela soubesse que quando ela passa/ o mundo inteirinho se enche de graça / e fica mais lindo / por causa do amor... A vida deu a Dona Carmita momentos difíceis, mas ela venceu todos eles. Desde que olhou o azul e se entregou nas mãos de Deus fez-se mulher forte e vitoriosa: Não posso definir aquele azul/ não era do céu/ não era do mar / foi um rio que passou em minha vida / e o meu coração se deixou levar / foi um rio que passou em minha vida / e meu coração se deixou levar. O Cursilho está em festa porque Dona Carmita está completando 90 anos. Para ela todas as bênçãos de Deus. Que Nossa Senhora a abrace e reparta conosco o bolo da alegria porque Sua filha Carmita tem uma vida de festa. Faz 90 anos com a alegria de viver, cheia de vigor e juventude. Perguntaram a Miguel Ângelo por que tinha esculpido o rosto da Mãe tão jovem como o do Filho, respondeu: “As pessoas apaixonadas por Deus não envelhecem.” É assim nossa Carmita. Dona Carmita nosso presente é nosso carinho. Vai desembrulhado, sem laços de fitas e caixas coloridas. É carinho desenrolado, simples, sincero como você gosta de receber. Fique certa do nosso bem querer. Se todos fossem iguais a você / que maravilha viver / Uma canção pelo ar / uma mulher a cantar / uma cidade a cantar / a sorrir, a cantar, a pedir a beleza de amar/ como o sol, como a flor, como a luz/ amar sem mentir nem sofrer / existiria a verdade / verdade que ninguém vê / se todos fossem no mundo iguais a você. Espero que vocês gostem! Beijos, Mabel. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 23/11/2007 Olá queridos leitores !!!! Hoje vou dar uma palestra na faculdade Dom Pedro II, aqui em Salvador, para quem quiser prestigiar é na avenida Estados Unidos, 20, no Comércio, às 19 horas. O tema será "LER É PRECISO". Muita gente anda falando: “Ler é Preciso!” “É preciso Ler o Mundo!” Tanta gente repete a frase da “boca para fora”... Ouvimos notícias de campanhas de incentivo à Leitura mas falta o ECO! Eco (Eco = fenômeno físico que se manifesta pela repetição de vozes ou sons.) Vem até nós a repetição: Mundo... Mundo... Mundo... Ler! Ler! Ler! O ECO fica a repetir e muitos nem ouvem. “LER É PRECISO” – Para ler é preciso gostar. Como começar a gostar de LER? Ler a casa, o quarto, a cozinha, o quintal, o playground. Ler o rosto, o olhar, o riso, o choro. Na palma das mãos a linha da vida. Ciganas e pessoas que se dizem videntes sabem ler as linhas da vida. Adivinham o futuro. Descobrem o passado. Quem não sabe ler as linhas da mão não vê o futuro! Esta visão é do passado. Livros – nos mostram as linhas do mundo. Para saber ler não precisa ser cigano, adivinho, médio vidente. Basta ter a alegria de encontrar alguém que lhe ensine a ler, ensine a gostar de ler. Antigamente se dizia: ensinar o bê a bá aprender o bê a bá... Família /escola tem obrigação de ensinar. Quem não sabe ler não pode olhar o futuro, não pode saber do passado, nem entender o presente. O mundo fica preso nas quatro paredes da ignorância Livro é o grande companheiro. Nos conta, nos ensina, nos orienta. Nos faz rir e chorar. Nos faz sair. Andar, viajar. Início da caminhada na leitura é o conto infantil. Contar história, mostrar o milagre das letras em cada página, começar com o Era Uma Vez – chave que abre a vontade de ouvir. “Um quarto sem livros é como um corpo sem alma.” (Cícero) Para mim um alívio. Pensando em meu quarto tão cheio de livros, todos reclamam, eu fico feliz. “Uma casa sem livros é como quarto sem janelas” (Heinrich Mann) ...meu quarto graças a Deus tem muitas janelas... A Biblioteca em uma Escola é um presente para a Escola, para a Cidade, para o Estado, para o País, para o mundo. “A Biblioteca de um homem é uma espécie de harém” (Ralph Emerson) “Não era mais uma menina com um livro, era uma mulher com seu amante” (Clarice Lispector - Felicidade Clandestina) “Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come” (Victor Hugo) “Sempre imaginei o paraíso como uma grande Biblioteca.” (Jorge Luis Borges) “Os verdadeiros analfabetos são os que sabem ler, mas não lêem.” (Mario Quintana) Privilégio: o único animal que sabe ler é o homem. “Quem fecha os olhos ao livro procura a cegueira do conhecimento.” Os livros guardam histórias e lendas. Lastros do passado que seguram o presente e preparam o futuro. Criar bem uma criança é dar mamadeiras de leite, de sopinhas, de sucos. Criar bem uma criança é dar mamadeiras de carinho, de ternura, de fé, de cantos e contos. Cantar / contar melhor caminho para ensinar. As mãos servem para dar carinho e folhear livros... Carinho puro! Sherazade – as mil e uma noites – Salvando-se com a fantasia. Branca de Neve e os Sete Anões: Atchim, Dengoso, Dunga, Feliz, Mestre, Soneca e Zangado. Maçã envenenada / Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu? Mais bonito é aquele que sabe olhar o pôr do sol e pensar num poema, olha o mar e pensa em canções. Lembra Castro Alves e Dorival Caymmi. Já se passaram 200 anos do nascimento do escritor Hans Christian Andersen – Patinho Feio, Soldadinho de Chumbo – o coração do chumbo derretido, a bailarina que encantou o soldadinho. Contar histórias acarinha quem ouve e quem conta. Monteiro Lobato queria fazer livros de beiju... Queria um livro onde as crianças pudessem viver dentro... Sítio do Pica Pau Amarelo / Narizinho e Pedrinho nos levando a ouvir Vovó Benta, nos dando os bolinhos de chuva de Tia Anastácia. José Bento Monteiro Lobato primeiro escritor brasileiro a contar uma história nossa, dos nossos quintais. Onde andam os quintais da gente? Comecei a escrever porque os livros só traziam histórias de príncipes e princesas, meninas brancas, de tranças compridas como Rapunzel, meus alunos eram pretos (a maioria) e as meninas tinham trança de nagô... Nos brinquedos o caminho para contar: arraia, trenzinho, pião, bonecos de papel, bonecos de barro, dobraduras e tudo que a criança podia ter por perto. Biografias – comecei ouvindo vidas de Santos, depois de inventores famosos. Escrevi sobre Zumbi dos Palmares, (dia 20 Dia da Consciência Negra Dia contra o Racismo). Escrevi sobre algumas figuras interessantes de Santo Amaro: Serafim, Balão, Muriçoca, Mãe da Lua. Pessoas importantes: Dr. José Silveira, Dr. Joviniano Barreto, Padre Sadoc (Trilhas) Lembrei de várias mulheres que admiro: minha mãe, Dona Cecília, Dona Zinha (Donas). Mulheres simples de Santo Amaro, mulheres sofridas de minha terra: Cartas de Dor, Cartas de Alforria. Biografias de compositores: Caetano e Gil. Vinicius de Moraes já está na Editora esperando bom tempo... Escrevi sobre Irmã Dulce (A Luta de Cada Um) Gostar de ler... Prazer de ler o que não vai ser cobrado pelo professor, ler sem esperar nota. A nota é dada pela emoção que se sente a cada frase lida. Dever de casa / Prazer de casa!!! Passar problemas onde a criança some pirulitos, bolas de gude e divida com os colegas figurinhas de passar. Ensinar as cores sem dar muita força ao vermelho sangue e sim à Rosa vermelha do bem querer, ao azul do céu, ao verde das matas, das folhas do coqueiro que o vento balança em Itapoan, carregar no branco, na paz, na areia branca do Abaeté. Adulto gosta de História Infantil, acalma, faz esquecer a vida agitada. Lições que meus alunos me deram: “História boa tem que fazer rir, chorar, meter medo e no fim ganhar a luta!” “História que não mete susto é sem graça” “Que adianta uma história que não faz rir nem chorar?” A criança só vai gostar de ler se em casa e na Escola alguém mostrar que o Livro carrega beleza, tem sabor e saber. Tem que provar para saber o sabor! Falar de príncipes e princesas, fadas e bruxas, o bem vencendo o mal, o “felizes para sempre” dando esperança. Trazer para o dia a dia comparações, o pai salvando o filho como o lenhador que deixou a lenha e correu a tirar sua criança do rio perigoso. Quem gosta de ler vai saber escrever. Quem for poeta se revelará com versos e rimas, quem não for poderá caminhar de mãos dadas com as crônicas, as cartas, os comentários. Falar para Universitários não é bom para mim. Sinto-me bem melhor falando com crianças que mostram logo, na forma de olhar, se estão gostando ou não de ouvir. Contar história para gente grande que se acostuma com a TV e sabe correr para o final do capítulo das novelas é bem mais complicado. Se eu pudesse carregar a “Eterna Magia” falaria com mais segurança para vocês. Hoje está todo mundo com “Duas Caras” e nós temos que nos unir para trazer de volta para nossas vidas a inocência dos Contos de Fada, a leveza das fadas e a esperança de sermos felizes para sempre. As histórias que a TV conta são linha direta para tristeza. A leitura do mundo pela TV mete medo. Bem melhor uma revista em quadrinho com Magali comilona, e Cascão bem porquinho. Para concluir quero deixar com vocês uma antiga Saudação Irlandesa: “Que o caminho seja brando a teus pés O vento sopre leve em teus ombros Que o sol brilhe cálido sobre tua face As chuvas caiam serenas em teus campos E até que eu de novo te veja Deus te guarde na palma da mão” Dou parabéns à Faculdade Dom Pedro II pelo trabalho bonito que vem realizando. Depois da Proclamação da República Dom Pedro II foi para a Europa. Contam que ele levou um travesseiro com a terra do Brasil, queria sempre estar com a cabeça sobre a terra onde nasceu. Morreu em Paris no ano de 1891. Outra coisa nos contaram: morreu de saudades do Brasil. O mundo que vocês precisam ler com muito carinho chama-se BRASIL. Peguem com cuidado esse mundo. Cuidem dele. A responsabilidade de vocês é maior que a minha: vocês são jovens, cheios de força, estão na Faculdade que tem como Patrono Dom Pedro II que amou tanto nossa Terra que levou um punhado dela para repousar para sempre. Cuidem do Brasil para evitar que venham a sentir saudade da Pátria Amada Idolatrada. É preciso repetir como o ECO... Salve! Salve! Brasil! beijos, Mabel. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 08/11/2007 Mestres da Música . Caetano Veloso A bossa nova foi uma grande descoberta para o baiano. João Gilberto o influenciou muito na criação de músicas com batidas novas e de rara beleza. Gil conheceu Caetano Veloso em 1963 e dessa amizade surgiu o Tropicalismo, movimento de vanguarda da música popular brasileira, de influência modernista formado, também, por Torquato Neto, Capinam e Tom Zé. Por causa da ditadura militar, Gil e Caetano foram morar na Inglaterra, só voltando em 1976, criando, com Gal Gosta e Maria Bethânia, o grupo Os Doces Bárbaros. Fizeram muito sucesso, viajaram por todo o país e, apesar do grupo terminar, a amizade seguiu em frente. Mabel Velloso, sua irmã, narra a trajetória de Caetano Veloso com zelo e capricho. O texto se complementa com belas imagens - mais de 40 reproduções de cartas, desenhos, fotos, capas de discos, etc. Aos três anos já sabia ler e começou a compor muito cedo. Caetano não gostava de comer, nem de dormir. Seus brinquedos eram sempre sem barulhos e sem correrias pelas escadas ou quintal. No começo da década de 70, Caetano voltou do exílio, produziu inúmeros shows, discos e a cada dia que passa inova e renova o seu modo de compor, nos deixando cada vez mais encantados com o seu irresistível talento. ![]() ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 31/10/2007 Mestres da Música . Gilberto Gil O menino que desde pequeno, em Ituaçu, gostava de cuidar da irmã Gildina e se interessava por música, que ficava parado escutando os cantadores, os violeiros e os repentistas, tornou-se um grande músico e pai de oito meninos. Gilberto Passos de Gil Moreira, filho do médico José Gil Moreira e da professora Claudina Passos Gil Moreira nasceu no dia 26 de junho de 1942 em Salvador, Bahia. Em 1951, Gil e sua irmã foram para Salvador continuar seus estudos. O menino Beto levou em sua bagagem as emoções vividas na Gruta da Mangabeira, o serviço de alto-falante na pracinha de sua cidade, um pouco das vozes de Francisco Alves e Bob Nelson, que tanto encanto deram à sua vida. Com o seu inseparável violão foi compondo suas bossas, fazendo jingles e estudando Direito. Mabel Veloso retrata numa linguagem simples e cativante a vida, descobertas, dificuldades e sucessos de um dos mais importantes músicos da MPB. O texto se complementa com belas imagens mais de 40 imagens como fotos, reproduções de capa de discos, cartas,etc. A bossa nova foi uma grande descoberta para o baiano. João Gilberto o influenciou muito na criação de músicas com batidas novas e de rara beleza. Gil conheceu Caetano Veloso em 1963 e dessa amizade surgiu o Tropicalismo, movimento de vanguarda da música popular brasileira, de influência modernista formado, também, por Torquato Neto, Capinam e Tom Zé. Por causa da ditadura militar, Gil e Caetano foram morar na Inglaterra, só voltando em 1976, criando, com Gal Gosta e Maria Bethânia, o grupo Os Doces Bárbaros. Fizeram muito sucesso, viajaram por todo o país e, apesar do grupo terminar, a amizade seguiu em frente. No ano de 1998, o lado político de Gilberto Gil veio à tona. Foi eleito vereador em Salvador com um expressivo número de votos. Anos mais tarde, criou a Onda Azul, uma organização não-governamental (ONG) que se preocupa com a preservação da água. Agora, com 60 anos, as canções de Gilberto Gil continuam falando da sua vida e da vida dos outros..... ![]() ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 17/10/2007 DNA Divido com vocês DNA , esse é um dos meus poemas mais elogiados entre todos que já escrevi. O amor de meus pais sempre nos inspirou e está vivo dentro de mim como exemplo de felicidade. beijos, Mabel DNA Para meus irmãos Sempre tive muita fé na vida, esperei sempre ser feliz. Meu pai e minha mãe ali juntinhos derramando carinhos sobre nós... Só me tornei triste e amarga, quando descobri que a felicidade não é hereditária. Poema extraído do livro "Poemas Grisalhos" ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Escrito em: 04/10/2007 Canô e Zeca Na terra doce do açúcar muita doçura se vê e na doçura mais doce vai crescendo, nesta terra, de Zezinho e de Canô o bonito bem querer. Juntos há mais meio século cada dia mais amantes distribuindo alegria aos amigos, filhos, netos, aos chegados, bem queridos que a vida lhes legou. Zezinho calado e sereno se torna no dia a dia o mais jovem dos mais velhos que Santo Amaro criou. Canô bonita e bondosa vivendo com alegria fazendo a gente feliz seu canto encantando a vida dos que a cercam com amor. Zeca e Canô fazem rimas são a canção, a poesia que aos filhos ensinou. Com o sucesso dos filhos ficaram muito felizes mas sentem muita saudade e esperam o ano inteiro para que, em fevereiro, os meninos venham então para aumentar a alegria de todos nessa união. Um dia Canô e Zeca receberam uma homenagem pelos dois filhos famosos e é exaltado o casal com palmas e ovações. Mas de repente aparece no ponto alto da festa um inesperado orador: que grita com entusiasmo: "Aqui está entre nós de Caetano e Bethânia, o casal reprodutor." Poema extraído do livro "Trilhas" de Mabel Velloso ![]() ![]()
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